Quem sou eu?

  Vlademir Lazo Corrêa.
Cultivo todas as paixões, de preferência, até as últimas conseqüências. Compulsivo colecionador de dvds, livros, discos de vinil e outras velharias mais. Um curioso com sede de pesquisa, crítico, leitor contumaz, apaixonado pela vida e pela morte, também por literatura, cinema e música.

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Histórico


- 01/11/2009 a 30/11/2009
- 01/10/2009 a 31/10/2009
- 01/09/2009 a 30/09/2009
- 01/08/2009 a 31/08/2009
- 01/07/2009 a 31/07/2009

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Top Anos 70

Depois dessa década o cinema nunca mais foi o mesmo, e junto com a anterior é o período mais repleto de filmes que realmente vale a pena assistir. Detalhe: a lista a seguir começa em ordem de preferência (pelo menos os dois primeiros) e depois prossegue em ordem cronológica. Eu é que não sou louco de tentar ordenar tudo isso não.


01. Morte em Veneza (Luchino Visconti, 1971)
Um tenso duelo entre conteúdo e forma, beleza e decadência, juventude e velhice. O meu filme favorito.

02. Laranja Mecânica (Stanley Kubrick, 1971)
O filme definitivo sobre a questão da violência, e assisti-lo é sempre uma experiência das mais singulares.
   
03. Corrida Sem Fim (Monte Hellman, 1971)
Talvez o mais existencialista dos filmes americanos.

04. Ato Final (Jerzy Skolimowski, 1971)
Mother Sky.

05. Gritos e Sussurros (Ingmar Bergman, 1972)

Um mergulho profundo e algo assustador nos mais íntimos mistérios da alma.

06. O Discreto Charme da Burguesia (Luis Buñuel, 1972)
Um dos delírios mais insanos perpetrados pelo demônio espanhol, e exatamente por isso é um dos seus melhores.

07. A Mãe e a Puta (Jean Eustache, 1973)
O precursor dos mais recentes filmes de Garrel. Tão grande e fascinante quanto, e com o monólogo mais estupendo do cinema.

08. Índia Song (Marguerite Duras, 1975)
Um poema visual e onírico.

09. Profissão: Repórter (Michelangelo Antonioni, 1975)
O auge dos enigmas existenciais do cineasta italiano.

10. Stalker (Andrei Tarkovski, 1979)
Posso dizer que em duas revisões devo ter captado apenas uns vinte por cento do filme, o que representa bem mais do que tudo que a maioria absoluta dos outros filmes tem a oferecer. Eis um filme para se conhecer pela vida inteira.



- Postado por: Vlademir as 01h07
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Ainda sobre Michael Cimino (do qual se falou no post anterior) nessa semana saiu na última edição da Filmes Polvo um excelente artigo de Marcelo Miranda sobre a carreira e a obra do diretor.



- Postado por: Vlademir as 23h31
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Top Anos 80

A hora e a vez da década de oitenta.


01. O Portal do Paraíso (Michael Cimino, 1980)
Um filme-monstro, ao mesmo tempo abençoado e maldito.
     
02. Aos Nossos Amores (Maurice Pialat, 1983)
Todas as mulheres de quinze anos representadas na personagem de Sandrine Bonnaire.

03. Amantes (John Cassavetes, 1984)
Se existem filmes maiores do que a vida, certamente esse é um deles.

04. Cão Branco (Samuel Fuller, 1982)
Samuel Fuller comanda, e esse é um dos seus três ou quatro melhores filmes.

05. O Dinheiro (Robert Bresson, 1983)
À medida que envelhecia Bresson se tornava o mais jovem e materialista dos cineastas.   

06. Eles Vivem (John Carpenter, 1988)
Uma alegoria que vai de encontro com muito da maneira como encaro o mundo, dentro de uma notável estrutura de filme de terror e pancadaria. 

07. Passion (Jean-Luc Godard, 1982)
O mais sagrado dos filmes do diretor francês.

08. Classe Operária (Jerzy Skolimowski, 1982)
O drama humano em torno de migalhas.      

09. O Império do Desejo (Carlos Reichenbach, 1981)
Uma pornochanchada existencialista, na mais trágica e engraçada das utopias.

10. O Sacrifício (Andrei Tarkovski, 1986)
O retrato do artista quando velho.



- Postado por: Vlademir as 02h46
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Night Moves

Possivelmente o último grande filme de Arthur Penn, começa como um típico suspense policial setentista, com um Gene Hackman no papel de um detetive durão, mas bem mais afável que o investigador de Operação França. Na verdade a sua interpretação mistura traços de seus personagens tanto de Operação França quanto de A Conversação, principalmente quando o seu trabalho profissional interfere em sua vida particular, pois habituado a tirar fotos e investigar casos de traição, descobre que sua própria esposa o está traindo (talvez por ele não lhe oferecer a atenção que ela merecia). Enquanto busca se recuperar desse choque, é contratado por uma atriz hollywoodiana decadente para investigar o desaparecimento de sua filha adolescente. Como forma de esquecer os problemas que o atormentam, o detetive se afunda em uma peregrinação para encontrar a garota desaparecida (no que pode ser visto em mais uma das várias tentativas do cinema americano da época de emular Rastros de Ódio), o que o leva até a Flórida, onde encontra a menina morando por vontade própria com o padrasto e sua mulher em um lugar bastante simples e modesto, perto de um lago, de onde ela se recusa a sair para voltar pra casa. O filme então toma um rumo diferente, com um erotismo ambíguo (que insinua um ménage a trois entre o casal e a adolescente) e ares de algumas das situações de Lolita, pois a garota é uma pubescente ninfeta cuja presença provocante desconforta o protagonista. A cena da chegada do detetive e o encontro com a menina é digna do romance de Nabokov, com a garota se vestindo por trás de um varal cheio de roupas. A personagem adolescente é interpretada por uma Melanie Griffith bem jovem e com cara de menina, e Night Moves deve sobreviver bastante nas fantasias de toda uma geração muito por conta de sua performance surpreendentemente sensual (há uma famosa cena em que ela nada nua). Mas o filme avança em outras direções, trilhando caminhos sinuosos em torno de personagens dúbios, e é preciso ter prestado bastante atenção em diálogos do começo para entender melhor a teia de intrigas que se desvendam no final. Não é propriamente um neo-noir, mas em seu arcabouço têm características do gênero relidos dentro de uma estética essencialmente setentista. Destaque também para a pequena participação de James Woods em um pequeno papel.



- Postado por: Vlademir as 23h37
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Top Anos 90

Faz mais ou menos um ano eu e os amigos Ronald e Daniel fizemos cada um em seu blog uma série de listas sobre os melhores filmes de cada década. O Ronald resolveu reviver essa idéia, não apenas atualizando, mas também reduzindo os tops aos dez essenciais de cada um de nós, e na ordem de preferência (no ano passado eram trinta por década). Segue abaixo a minha lista, mais ou menos em ordem. Nem sei se gosto mais do terceiro lugar do que do décimo, por exemplo. É o que saiu hoje.

01. Clube da Luta (David Fincher, 1999)
O epílogo de uma década.

02. Vale Abraão (Manoel de Oliveira, 1993)
O filme mais belo do mundo, pictórico e sensorial ao limite, e com um grande equilíbrio entre imagem e texto.

03. O Pagamento Final (Brian DePalma, 1993)
O ápice de um grande cineasta.

04. De Olhos Bem Fechados (Stanley Kubrick, 1999)
Um filme que só cresce com o tempo.

05. Blackout (Abel Ferrara, 1997)
New Rose Hotel provavelmente seja melhor. Mas esse vem me fazendo mais a cabeça.

06. A Bela Intrigante (Jacques Rivette, 1991)
O processo de criação e o corpo-a-corpo do artista com sua arte.

07. Os Imperdoáveis (Clint Eastwood, 1992)
O testamento definitivo do western.

08. Dead Man (Jim Jarmusch, 1995)
O fantasma do gênero, absolutamente hipnótico.

09. Underground – Mentiras de Guerra (Emir Kusturica, 1995)
Um mosaico sobre a loucura desmedida e cigana de um povo.

10. Cassino (Martin Scorsese, 1995)
O cinema de Scorsese levado até as últimas conseqüências. 



- Postado por: Vlademir as 22h39
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O Amor de Astrée e de Céladon

Um romance pastoral, tão leve como uma pluma, e cheio de uma poesia selvagem e encanto bucólico. O filme de Eric Rohmer faz com que amores medievais e paixões desencontradas não pareçam piegas ou datadas. Alguns planos lembram Gritos e Sussurros, de Bergman, mas em sua essência o filme tem a extraordinária pureza de Roberto Rossellini (especialmente Francisco, Arauto, de Deus). É um filme solar, composto totalmente de cenas diurnas e que nos faz respirar os ambientes dos campos, pastos, rebanhos e da natureza em geral (rodado quase todo em externas, as poucas cenas internas mantém uma iluminação vivaz através da claridade que adentra pelas janelas generosamente abertas dos recintos nos quais os personagens se concentram em determinados momentos). Se já não bastasse todo o esplendor com que o filme nos conquista durante o decorrer da projeção, ao final nos surpreende uma vez mais com a delicada beleza das carícias eróticas típicas dos jogos secretos com que Astrée e um andrógino Céladon se permitem diante de suas colegas pastoras dentro do quarto fechado em que se encontram. Pode ser visto sem receios, porque é dos mais “fáceis” do cineasta e ao mesmo tempo sem concessões, de uma clareza que não esconde nada e nem oculta os seus sentidos.



- Postado por: Vlademir as 13h36
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Top Don Siegel

Como se falou bastante em Donald Siegel nos dois últimos post, segue um top com os meus preferidos do cineasta, ainda que tenha que conhecer muitos do diretor, e rever alguns que assisti há muito tempo.

01. O Estranho Que Nós Amamos
02. Madigan – Os Impiedosos
03. O Homem Que Burlou a Máfia
04. Vampiros de Almas
05. Os Assassinos
06. Alcatraz – Fuga Impossível
07. O Últimos Pistoleiro
08. O Grande Roubo
09. Perseguidor Implacável
10. Meu Nome é Coogan



- Postado por: Vlademir as 23h35
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Zingu # 35

Entrou no ar a edição de setembro da Zingu!,  prosseguindo com o seu inventário em torno de nomes do Cinema Marginal brasileiro, dessa vez com um dossiê sobre João Callegaro, que inclui uma longa entrevista, filmografia e resenha do seu episódio Alice (de As Libertinas) e do genial O Pornógrafo (foto) – esse com crítica escrita por mim. E também um especial sobre José Agrippino de Paula, com artigos sobre Hitler III Mundo e seus curtas e um perfil sobre a sua carreira de escritor além de uma resenha acerca do clássico literário PanAmérica. Mas como sempre sugiro a leitura da edição inteira, que entre outras diversas atrações, inclui ótimos textos de Gabriel Carneiro e Filipe Chamy, a tradicional (e indispensável) coluna do Biáfora, e as seções de Lançamentos, com textos que escrevi para Deixa Ela Entrar (cuja estréia nos cinemas brasileiros prevista para esse mês está indefinida) e O Estranho Que Nós Amamos e resenhas curtas para Outros Lançamentos em cinema e dvds. Não deixem de conferir!



- Postado por: Vlademir as 01h20
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Esse merece uma nota por aqui. Foi lançado discretamente em dvd no Brasil (diria que de forma quase clandestina) a obra-prima do mestre Don Siegel, o excepcional O Estranho Que Nós Amamos (1971), talvez o exemplo mais fulgurante que pode servir de prévia de muito do que Clint Eastwood faria depois como diretor ─ embora poucas vezes em sua festejada carreira tenha alcançado resultados com a mesma intensidade dessa obra de Siegel (o mentor decisivo na escalada do ator para a direção, mais até do que Sergio Leone). Quem viu o filme sabe o quanto ele é surpreendente, e mesmo possuindo uma cópia baixada da net com ótima qualidade de imagem fiz questão de adquirir o dvd, que curiosamente se encontra disponível em poucas lojas virtuais (das mais conhecidas, apenas na Submarino). O filme está sendo lançado pela LW Editora/ NBO, e há pouco recebi o dvd em casa, numa embalagem simples mas bonita, num dvd que conserva o formato de tela correto (Widescreen), e com extras pouco significativos (notas de produção e do elenco e realizadores, além do trailer). Sobre o filme, pretendo escrever um texto mais detalhado na próxima edição da Zingu.  



- Postado por: Vlademir as 03h06
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Poucos filmes do cinema contemporâneo possuem a força de A Hora da Religião, de Marco Bellocchio, que possivelmente em meio a decadência do cinema italiano é o melhor filme italiano que vejo em muito, mas muito tempo. É sobre um pintor e intelectual romano (o extraordinário Sergio Castellito) que mora com o filho pequeno e que é pego de surpresa com a notícia de que o Vaticano pretende canonizar a sua falecida mãe (que supostamente seria a responsável por uma série de milagres na região), o que o desconcerta e o dilacera, um tanto por ele ser ateu, e também por no fundo sempre ter considerado a própria mãe como uma estúpida (ela foi assassinada por um dos filhos, doente-mental). Só que ele tem que lidar com a reação dos seus familiares, entusiasmados com a possibilidade de lucrarem com essa canonização, mas que contraria as convicções do pintor, e o filme todo é a sua batalha pessoal numa série de confrontos com que se depara em sua viagem pessoal por uma Itália cada vez mais  absurda. O filme tem uma trama paralela impressionante que se inicia com uma afronta inconseqüente do pintor a um Conde muito rico e arrogante pelo qual tem aversão, uma figura odiosa que indignado o desafia para um duelo, para descrença e riso do pintor, numa trama que é deixada de lado para ser retomada perto do final, com ares de farsa e contornos de trapaça. É Bellocchio digno de sua melhor forma, inclusive retomando temas  que são caros a sua obra (o matricídio, doenças mentais em família) e posso dizer que seu novo filme, Vincere (exibido no último festival de Cannes), é dos mais aguardados nesse final de década.



- Postado por: Vlademir as 02h48
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O Daniel do Assim Está Escrito postou sobre o ótimo Comboio do Medo (Sorcerer), de William Friedkin,e quando fui comentar lá escrevi uma mensagem tão longa que achei melhor transformar em post por aqui hehe. Enfim, tenho o dvd original importado dessa belezura do Friedkin, e no geral gosto mais do original francês, mas concordo que em alguns aspectos o remake é superior, com todos os riscos que correu ao fazer uma abordagem diferente nessa segunda versão do romance de George Arnaud. Nessa refilmagem, os personagens são tratados como vermes, o que para muitos na época soou como um defeito, mas esse detalhe pode ser visto como uma virtude, por tornar mais pungente o tratamento dos personagens na dura realidade latino-americana (Friedkin também estende demais a introdução contando a origem dos protagonistas), em contraste ao filme original em que há uma romantização dos papéis, o que também é muito bom. O que eu não gosto no filme do Clouzot são os minutos finais com aquela montagem paralela ao som do Danúbio Azul, e a expressão patética do protagonista morto - com certeza nesse aspecto o filme americano se saiu bem melhor com seu final mais seco e igualmente pessimista. Roy Schneider está memorável no papel principal, embora o diretor tivesse convidado Steve McQueen para o papel, que só não aceitou pela recusa de Friedkin em criar um personagem para a sua namorada Ali MacGraw nesse filme predominantemente masculino (mais tarde Friedkin contou que se arrependeu de não ter aceitado a exigência de McQueen, pelo fato de que a participação do astro teria ajudado o filme a ser um sucesso popular e ser mais lembrado no futuro).



- Postado por: Vlademir as 02h02
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