Quem sou eu?

  Vlademir Lazo Corrêa.
Cultivo todas as paixões, de preferência, até as últimas conseqüências. Compulsivo colecionador de dvds, livros, discos de vinil e outras velharias mais. Um curioso com sede de pesquisa, crítico, leitor contumaz, apaixonado pela vida e pela morte, também por literatura, cinema e música.

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Histórico


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Para coroar o final do mês que foi repleto de de estréias de filmes bastante comentados, finalmente depois de duas previsões de estréias adiadas é lançado nos cinemas brasileiros Amantes, de James Gray, fácil um um dos melhores filmes do ano. Para quem puder ver nos cinemas, uma ótima oportunidade para conhecer ou rever na telona. Deixo o link para a crítica do filme que escrevi na Zingu! na ocasião anterior em que o filme teve sua estréia adiada:

http://www.revistazingu.net/2009/07/lancamentosamantes.html



- Postado por: Vlademir as 21h44
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As comparações mais freqüentes ao citarem Fedora são com Crepúsculo dos Deuses, por causa da temática bastante próxima e pelas semelhanças de tom, porém é uma obra que parece mais algo de David Lynch (felizmente sem a afetação de muitos de seus filmes), em virtude de muitas das suas reviravoltas (algumas das quais bem absurdas), de personagens pairando mais como fantasmas do que pessoas de carne e osso, de o filme nos enganar com uma realidade por trás da qual se esconde uma outra ainda mais sinistra, dúvida, confusão e trocas de identidades, e a busca obsessiva pelo juventude eterna, e o castigo que a natureza impõe a quem decide desafiá-la nesse sentido. São características que devem ter parecido grotescas na época de lançamento, portanto, não é de se admirar que tenha sido repudiado na estréia. Billy Wilder já havia se utilizado de diversas referências para incrementar seu Crepúsculo dos Deuses, e trinta anos depois ele volta a se reunir com o seu roteirista habitual para uma versão ainda mais desvairada daquele argumento (com atores como Henry Fonda e Michael York interpretando a si mesmos), trazendo de volta um envelhecido William Holden como um produtor falido em plena era da Nova Hollywood setentista querendo filmar com uma antiga estrela afastada das câmeras e do mundo, Fedora (Marte Keller), uma Greta Garbo da qual o filme se diverte em imaginar como centro de uma sucessão de eventos calamitosos enquanto todos acreditam na quietude de sua reclusão. É fascinante ver um diretor da era de ouro de Hollywood fazendo no final dos anos setenta um filme totalmente anacrônico, mas que acaba se parecendo com o cinema de um tempo futuro (o já citado David Lynch), e desse paradoxo todo é que Fedora constrói seu fascínio e se o filme não é mais consagrado por certo é pela ausência no papel-título de uma atriz com uma carreira extensa mais reconhecível. E também não lembro de muitos outros momentos em que Billy Wilder tenha sido tão romântico, na certa para servir de contraponto ao clima de terror e loucura, nessa que é uma verdadeira representação de um funeral: o do cinema clássico americano, que na época era sepultado em definitivo para dar lugar a Hollywood contemporânea. É o testamento de Billy Wilder.



- Postado por: Vlademir as 00h18
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Com sua mais recente obra, À l'aventure, Brisseau confirma ser mestre na arte de filmar, porém ao contrário dos seus dois trabalhos anteriores, dessa vez sem disputas pelo poder entre os dois sexos (a temática pode até estar presente, mas não em primeiro plano), nesse novo filme homens e mulheres convivem harmoniosamente e sem conflitos, o que há é a freqüente e desesperada busca dos personagens femininos pela descoberta de si mesmo, na procura da possibilidade de ser livre experimentando a quebra de supostos tabus, e a constatação de que a liberdade absoluta é impossível de se alcançar, mas que vale a pena vivenciá-la por algum momento ainda que se tenha que permanecer com o seu animal interior domesticado dentro de uma jaula que o reprime e aprisiona. É de longe o mais feminista dos últimos três filmes do diretor, com a sede de liberdade da mulher se sobrepondo a curiosidade e desejo de conhecimento masculino, no caso a do psiquiatra que convence as três garotas para servirem de cobaias para com a prática da hipnose se aproximar do segredo do êxtase feminino. Brisseau faz o que centenas de cineastas tentaram, mas que poucos conseguem, tratar o sexo como um assunto sério, numa concepção filosófica e sociológica por meio de uma investigação cientifica que se dá mais pelo diálogo do que pelas sequências com belas mulheres nuas se masturbando diante da câmera ou em cenas de lesbianismo ou com homens, por sinal como de costume em Brisseau o filme é mise en scéne pura na maneira como filma objetos, corpos e paisagens, e não falo só das cenas eróticas (que nem são muitas), mas na limpidez e precisão com que cada plano é articulado e no olhar com que o espaço cênico serve de palco para encontros com uma carga intima e clandestina quase sagrada, ou até mesmo fora dos quartos e dos refúgios enclausurados, nos passeios pela rua ou nas conversas em bancos de praça (com um Étienne Chicot que em cada uma de suas aparições parece estar construindo um filme a parte somente para ele), ou o final no campo. Resta agora esperar para que À l'aventure seja lançado no circuito brasileiro, se não esse ano, quem sabe em 2010.



- Postado por: Vlademir as 00h24
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Com certeza o filme mais esperado até o final do ano.



- Postado por: Vlademir as 00h44
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Zingu # 34

A Zingu está com edição nova no ar, com um dossiê sobre João Silvério Trevisan, escritor consagrado que como cineasta realizou alguns curtas e um único longa, o seminal Orgia ou o Homem que Deu Cria, vinculado a estética do Cinema Marginal. O dossiê conta com uma longa entrevista com Trevisan, além de resenha do Orgia e de A Mulher que Inventou o Amor, de Jean Garrett (mas com roteiro de Trevisan) e de alguns dos seus principais livros e um texto do próprio Trevisan acerca da geração cinematográfica a qual pertenceu. A edição também conta com um especial sobre um dos grandes filmes dessa década, Medos Privados em Lugares Públicos, de Alain Resnais, e uma série de textos sobre Nelson Rodrigues no cinema, com resenhas de vários dos seus filmes, entre as quais dois textos meus para Boca de Ouro (foto) e O Casamento. Tem também um artigo meu sobre John Hughes, e na seção de Lançamentos, críticas que escrevi para Aquele Querido Mês de Agosto e Gran Torino (recém-lançado em dvd), além da coluna Outros Lançamentos, com mini-resenhas para algumas estréias do cinema (entre as quais filmes que entrarem em cartaz nos cinemas nesse fim de semana) e outros que estão saindo em dvd. E muito mais!



- Postado por: Vlademir as 00h07
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Fome de Amor talvez seja o filme mais louco de Nelson Pereira dos Santos, que dando prosseguimento a uma fase mais experimental de sua carreira iniciada no ano anterior com a comédia El Justiceiro, deixa um pouco de lado questões que permeavam sua obra como favela, miséria e sertão (a exceção nesses primeiros filmes havia sido o genial Boca de Ouro, uma obra de encomenda). A vontade de Fome de Amor em surpreender já começa com o curioso subtítulo Você Nunca Tomou Banho de Sol Inteiramente Nua?  O ponto de partida de Fome de Amor é deveras interessante (embora um pouco batido), com dois casais que se conhecem numa ilha no litoral fluminense: um que está voltando de Nova York (pelo receio do marido em ser convocado para lutar na Guerra do Vietnã pelo exército americano) para morar na ilha que acreditam ser de sua propriedade, e o outro casal que há tempos vive por ali, do qual o marido (ex-revolucionário cego, surdo e mudo) é o verdadeiro dono do local, mas é controlado por sua esposa. Pena que é um filme em que nem tudo funcione, algumas situações não possuem sentido ou graça, e os personagens não estão corretamente delineados psicologicamente. A intenção de Nelson Pereira era uma alegoria política, com o casal vindo do exterior simbolizando, ele, o jovem alienado, e ela a intelectual de idéias maoístas, ambos artistas frustrados e fracassados, enquanto que o outro casal representa o revolucionário mutilado e a esposa como símbolo da libertação feminina. Mas nem todos esses símbolos se enxergam na tela ou surtem efeito, e os melhores momentos são as relações tensas de ciúme, ódio e sexo entre os dois casais, o que propicia grandes performances para as duas atrizes principais (Irene Stefânia e Leila Diniz), especialmente Leila Diniz, como a mulher de espírito livre que toma banho de sol e nada nua, flerta com o marido da outra e é atrevida (e agressiva) nas palavras, no que talvez seja o grande trabalho de Leila Diniz no cinema (junto com Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos de Oliveira). Há destacar também as proezas sensacionais da câmera do fotografo Dib Luft e a longa sequência final de mais de quinze minutos, que mesmo que não seja muito compreensiva, é um delírio visual impressionante.



- Postado por: Vlademir as 23h04
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JOHN HUGHES
(1950-2009)

Há tempos que eu havia desistido de anunciar óbitos no blog, mas hoje é uma exceção: Gatinhas e Gatões, Mulher Nota 1000 (o meu preferido), O Clube dos Cinco (o melhor) e Curtindo a Vida Adoidado marcaram uma época que faz parte de mim (fora os outros que ele dirigiu ou que apenas produziu). 

 



- Postado por: Vlademir as 18h52
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Top Abel Ferrara

01. New Rose Hotel
02. Blackout
03. O Rei de Nova York
04. The Addiction
05. Vicio Frenético
06. Maria
07. Ms. 45
08. Olhos de Serpente
09. O Assassino da Furadeira
10. Os Chefões



- Postado por: Vlademir as 00h48
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Grande notícia: de acordo com o Filme B, no dia 4 de setembro estreará nos cinemas brasileiros o já cultuadissimo terror sueco Deixe Ela Entrar, que tanto surpreendeu os que tiveram a oportunidade de desde o ano passado assisti-lo nas mostras ou festivais de cinema, ou pelos downloads da internet. Desde já pode ser considerado um dos grandes filmes do ano.



- Postado por: Vlademir as 18h30
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